sábado, 28 de julho de 2012

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 6:UNIDADE 5: OS CAMINHOS DA CULTURA

CONTEXTUALIZAÇÃO
No fim do século XIX, a crença no valor da ciência atingiu o seu auge. Os extraordinários progressos nas mais diversas áreas científicas e técnicas consolidaram a fé no conhecimento como alicerce de um mundo melhor. Endeusados, revestidos de uma quase omnipotência, o racionalismo e o método científico dominam, então, a cultura europeia.
Fazendo-se sentir em todas áreas, das ciências exatas às ciências sociais, da filosofia ao ensino, o apreço pelo concreto, pelo “positivo” vai também refletir-se na arte e na literatura.
Artistas e escritores rejeitam os velhos cânones académicos e voltam-se  para o mundo que os rodeia, procurando retratá-lo da forma mais objectiva. No entanto, as necessidades do espírito rapidamente se manifestam e, numa oposição clara ao Realismo dominante, emerge a corrente simbolista, feita de imaterialidade e transcendência.
Embora contrárias, as duas tendências partilham da mesma ousadia e da necessidade de encontrar uma estética própria, liberta das regras tradicionais.
Este sentimento conduzirá à Arte Nova que tão fortemente marcou a viragem do século.
Procurando acompanhar o passo da Modernidade europeia, os intelectuais portugueses consomem avidamente as novidades que, “aos pacotes”, lhes chegam de comboio. No último terço do século, sob o impulso da Geração de 70, o nosso país abre-se ao debate social e ás novas tendências literárias. Adere também, embora de forma moderada, à estética realista que tinha conquistado a Europa, 20 anos antes. Não se colocando à margem da revolução cultural que se desencadeara na Europa, Portugal mantém, no entanto, a sua índole prudente e conservadora.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 6: UNIDADE 4: PORTUGAL- UMA SOCIEDADE CAPITALISTA DEPENDENTE


CONTEXTUALIZAÇÃO
Após quase meio século de turbulência política, a Regeneração (1851) propôs-se trazer a Portugal a acalmia e o desenvolvimento económico. Ao fontismo se deveu uma política de obras públicas que dotou o país dos transportes e comunicações imprescindíveis à construção do mercado interno e à abertura à Europa.
Privilegiando o livre-câmbio, a Regeneração favoreceu de capitais e artigos industriais estrangeiros. Portugal tornou-se uma sociedade capitalista dependente. O resultado foi o défice comercial que, somado à divida pública, conduziu o país à bancarrota.
Entretanto, a monarquia constitucional revelava-se incapaz de resolvera a crise económica-financeira e de responder às expectativas das classes médias e do proletariado. Abalada por escândalos e humilhada pelo Ultimato, acabou por soçobrar em 5 de Outubro de 1910.
Proclamou-se, então, a Primeira República, que se assumiu como laica e parlamentar, com uma obra democrática notável.

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 6:UNIDADE 3: EVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA- NACIONALISMO E IMPERIALISMO

CONTEXTUALIZAÇÃO

Desde as últimas décadas do século XIX que o demoliberalismo se consolidou no mundo ocidental, mercê de conquistas políticas notáveis. Entre elas, a do sufrágio universal que, todavia, deixou de fora as mulheres, os negros e os analfabetos.
Entretanto, na Europa Central e Oriental, persistiam Estados autoritários e conservadores, assentes na autocracia e na submissão de várias nacionalidades.
E num tempo em que os movimentos de libertação e de unificação nacional estavam na ordem do dia, a opressão de nações afigurava-se deveras ameaçadora.
O mesmo acontecia com os afrontamentos imperialistas, resultantes do domínio da Europa sobre o Mundo.
De facto, na África e na Ásia, velhas e novas nações europeias partilhavam territórios e dominavam povos. Envolto em perigosas rivalidades, o fenómeno imperialista contribuiu para o estado de tensão política que conduziria à Primeira Guerra Mundial.

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 6:UNIDADE 2: A SOCIEDADE INDUSTRIAL E URBANA

CONTEXTUALIZAÇÃO
A Revolução Industrial e o capitalismo resultaram em transformações quantitativas e qualitativas no seio das populações. A explosão populacional foi a primeira dessas grandes alterações, tornada possível pelo declínio acentuado e irreversível da mortalidade. Um “mundo cheio” era o espetáculo da Humanidade no século XIX, que fez crescer aceleradamente as cidades (expansão urbana) e, na emigração, encontrou saída para os seus problemas.
Entretanto, as hierarquias tradicionais desmantelavam-se e a sociedade de ordens dava lugar à sociedade de classes. A burguesia empresarial e financeira consolidou a sua preeminência. Comportou-se como as elites aristocráticas, mas foi também capaz de se orgulhar do seu êxito derivado do trabalho. As classes médias proliferam na sequência do incremento do terciário e da expansão urbana.
O proletariado emergiu e combateu por um mundo melhor. A sua miséria assustou e perturbou as consciências burguesas. Do socialismo utópico e do marxismo saíram tentativas de resposta à sua precária condição. 

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 6:UNIDADE 1: AS TRANSFORMAÇÕES ECONÓMICAS NA EUROPA E NO MUNDO

CONTEXTUALIZAÇÃO
No decurso do século XIX, a Revolução Industrial mudou a face da Europa e do Mundo.
Fruto da estreita ligação entre o laboratório e a fábrica, o ritmo das inovações acelerou-se. Novas fontes de energia, como a eletricidade e o petróleo, e novos sectores de ponta, como a siderurgia e a química, marcam a segunda metade do século. As distâncias encurtam-se, dada a rapidez crescente dos transportes e dos meios de comunicação.
Perfeitamente consolidado, o capitalismo industrial impõe as suas regras. A livre-concorrência força a concentração empresarial e a otimização dos recursos produtivos. No fim do século, estão já constituídos os primeiros gigantes económicos e estudam-se as formas de uma maior rentabilização do trabalho humano.
Pioneira da industrialização mundial, a Inglaterra mantém, até cerca de 1870, um lugar destacado entre as grandes potências. A confiança nas capacidades da sua economia leva-a a defender o livre-cambismo como a fórmula mais eficaz para a prosperidade geral. A Europa escuta-a e suspende os entraves à livre circulação de mercadorias. As trocas mundiais praticamente duplicam em menos de um século.
A expansão do capitalismo não se faz, porém, sem sobressaltos. Repetidas crises cortam bruscamente os anos de prosperidade e lançam os países mais ricos num clima de desorientação e na miséria social. Faltam, ainda, mecanismos de controlo económico que só a evolução do sistema permitirá aperfeiçoar.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

REVOLUÇÃO FRANCESA: ASSEMBLEIA NACIONAL

Documento histórico (escrito)
 Abolição dos Direitos Feudais
 Art.1- A Assembleia Nacional destrói o regime feudal e decreta que, do conjunto de direitos e deveres feudais como os do censo,aqueles que se relacionam com a mão- morta real e pessoal e coma servidão pessoal e todos os que a representem são abolidos semindemnização : todos os outros são declarados resgatáveis e o preço e o modo do resgate serão fixados pela Assembleia Nacional.Todos os direitos que não são suprimidos por este decreto continuarão a estar em vigor até serem resgatados. 
Art. 4-Todas as justiças senhoriais são suprimidas sem indemnização 
Art- 11- Todos os cidadãos sem distinção de nascimento podem ser admitidos em todos os empregos e dignidades eclesiásticas, civis e militares…

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 5:UNIDADE 5: O LEGADO DO LIBERALISMO NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX,

CONTEXTUALIZAÇÃO
Consequência da ideologia das Luzes e das Revoluções Liberais, o liberalismo expande-se no mundo ocidental durante a primeira metade do século XIX. Defende, antes de mais, a liberdade individual, a igualdade perante a lei e a propriedade privada, entendendo caber ao Estado a preservação destes princípios burgueses. Para tal, o poder político, progressivamente secularizado, funcionaria na base da separação dos poderes e da soberania nacional, garantidas, bem como os direitos do indivíduo, em textos constitucionais.
Sob o ponto de vista económico, o liberalismo defende a livre iniciativa, a abolição dos monopólios, considerando a livre concorrência como o garante da ordem, da justiça e do progresso da sociedade.
Porém o liberalismo então vigente conheceu restrições. Limitou o exercício da soberania aos mais abastados e esclarecidos, através do sufrágio censitário. A custo, e depois de muitas polémicas e conflitos armados, inclusive, aboliu a escravatura.
Concomitantemente, nas artes, o Romantismo é a expressão da ideologia liberal. Na literatura, na música e nas artes plásticas, propõe uma nova estética, afastada dos cânones racionalistas clássicos, fantasiosas, imaginativa, sentimental, individualista e nacionalista.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 5: UNIDADE 4: A IMPLANTAÇÃO DO LIBERALISMO EM PORTUGAL

CONTEXTUALIZAÇÃO
No Portugal do Antigo Regime, as Invasões Francesas (1807-1811) deixaram profundas marcas. Entre elas, a difusão dos ecos liberais, a desorganização económica, a instalação da Corte no Brasil, a entrega do Reino à “proteção” da Inglaterra.
Toda esta conjuntura concorreu para a Revolução Liberal de 1820. Invocando a regeneração da Pátria, expulsou-se os ingleses, exigiu-se o regresso do rei e a adoção de uma monarquia constitucional.
A ação do vintismo pautou-se pelo radicalismo. Retirou privilégios à nobreza e ao clero e diminuiu fortemente as prerrogativas reais. Ao ódio dos partidários do Antigo Regime, juntou-se a insatisfação popular, perante a tibieza da legislação socioeconómica, e o descontentamento burguês pela emancipação do Brasil.
Nem sequer a tentativa de apaziguamento político-social, representada pela outorga da Carta Constitucional (1826), foi suficiente para suster a resistência ao liberalismo. Só ao cabo de uma guerra civil de dois anos (1832-1834), a causa liberal triunfou. A legislação de Mouzinho da Silveira encarregou-se, entretanto, de liquidar o Antigo Regime.
Apesar de definitivamente vitorioso, nem por isso o liberalismo decorreu sem sobressaltos. Até 1851, moderados e radicais alternaram-se no poder, dando corpo –os primeiros- aos projetos cartistas e cabralista e os segundos ao setembrismo.

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 5:UNIDADE 3- A GEOGRAFIA DOS MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX: AS VAGAS REVOLUCIONÁRIAS LIBERAIS E NACIONAIS

CONTEXTUALIZAÇÃO
Desde a sua eclosão, a Revolução Francesa, apresenta-se como um modelo de luta contra a tirania. Sob a sua influência e do imperialismo napoleónico, os ecos liberais difundem-se na Europa.
Ferozmente conservador, antiliberal e antinacionalista, o Congresso de Viena (1815) constrói um novo mapa político europeu.
Desrespeita nações, submetendo-as a Estados estrangeiros, e elimina as heranças revolucionárias.
Contra esta nova ordem política ergue-se uma vaga de revoluções na Europa, entre 1820 e 1824, que acaba por se repercutir na emancipação da América Latina.
Uma segunda vaga revolucionária ocorre entre 1829 e 1839 e uma terceira explode em 1848. Se, naquela, a vitória do liberalismo foi notória, já na última as conquistas revolucionárias revelaram-se efémeras.

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 5: UNIDADE 2: A REVOLUÇÃO FRANCESA – PARADIGMA DAS REVOLUÇÕES LIBERAIS E BURGUESAS

CONTEXTUALIZAÇÃO
De 1789 a 1804, a França, viveu um processo revolucionário que, além de destruir o Antigo Regime, produziu uma série de experiências políticas com repercussões no mundo contemporâneo.
A Monarquia Constitucional (1789-1792) coube pôr em prática a tripartição dos poderes, a soberania da Nação, a abolição das ordens sociais, a livre iniciativa, a tolerância religiosa.
Acreditava-se que, sob a égide da burguesia, a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade seriam possíveis.
A radicalização da Revolução (1792-1795) fez os Franceses prescindirem da figura real e até de Deus. Foram os tempos da República dos sans-cullotes e jacobinos, que se alicerçou no Terror, ameaçada pela guerra civil e pela invasão estrangeira.
Em 1794, os burgueses tomaram as rédeas do poder. O Directório procuraria, de 1795 a 1799, salvar e consolidar a revolução burguesa. Esta foi, também a tarefa do Consulado e da sua figura de proa – Napoleão Bonaparte. Herói militar, foi considerado um salvador da Revolução. O seu governo pessoal, como imperador, pôr-lhe-ia fim.

CONTEXTUALIZAÇÃO: MÓDULO 5: UNIDADE 1: A REVOLUÇÃO AMERICANA- UMA REVOLUÇÃO FUNDADORA

CONTEXTUALIZAÇÃO
Vitoriosa na Guerra dos Sete Anos, a Inglaterra entendeu que as suas colónias da América do Norte deveriam pagar o esforço feito para as proteger da França. Onerou-as com impostos, conduta que os americanos reprovaram de imediato. Uma série de mal-entendidos e uma grande falta de tato do Governo de Londres levaram as colónias a clamarem pela Independência, encetando uma guerra de libertação da metrópole. Com a ajuda militar francesa, conseguiram os seus intentos.
A jovem nação, que proclamou a independência em 1776, sob a égide das Luzes, seria reconhecida pela Inglaterra em 1783.
Pela Constituição de 1787, tomou a forma de uma república federal – a República dos Estados Unidos da América -, que foi o primeiro Estado descolonizado do Mundo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

CONCEITOS: MÓDULO 6;UNIDADE 5: OS CAMINHOS DA CULTURA


UNIDADE 5: OS CAMINHOS DA CULTURA
CIENTISMO:- Crença no poder absoluto da ciência em todos os aspetos da vida.
O Cientismo parte de um estrito racionalismo que considera explicáveis todos os fenómenos, não pondo, por isso, limites às possibilidades do conhecimento humano. Segundo esta corrente de pensamento, a ciência constituiria a chave do progresso e da felicidade humana
POSITIVISMO:- Corrente filosófica e científica sistematizada, no século XIX, por Augusto Comte. O Positivismo, como corrente de pensamento, exclui toda a teorização metafísica, confinando-se ao positivo conhecimento dos factos através do método científico.
REALISMO:- Movimento cultural que se segue e se opõe ao Romantismo. Cronologicamente, o Realismo afirma-se acerca de 1850 e prolonga-se, sob várias formas, até à viragem do século.
Influenciado pela corrente positivista, o Realismo rejeita toda a subjetividade, opondo à beleza, ao refinamento, à elevação moral o simples culto dos factos. Estendendo-se embora a vários domínios, este movimento foi particularmente expressivo na pintura e na literatura.
IMPRESSIONISMO:- Corrente pictórica que se esboça na década de 1860 e persiste, pela mão de pintores como Claude Monet, até ao inicio do século XIX.
Os impressionistas procuram captar a realidade visível tal como, de imediato, a percebemos, transfigurada pelas diferentes intensidades de luz. Caracteriza-se por uma técnica pictórica rápida, de contornos diluídos, que privilegia as cores fortes e claras.  
SIMBOLISMO:- Corrente artística da segunda metade do século XIX que atingiu a sua expressão mais forte cerca de 1880-90.
O simbolismo toma como tema o mundo dos pensamentos e dos sonhos, o sobrenatural e o invisível, adquirindo um carácter hermético e isotérico.
Tal como o Realismo, ao qual se opôs, esta corrente afirma-se sobretudo ao nível pictórico e literário.
ARTE NOVA:- Estilo que marca , na Europa, a viragem do século (c. 1890-1914) e se afirma pela oposição aos estilos antigos que continuavam a inspirar a arte académica. Embora se desdobre em múltiplas vertentes nacionais (Modern Style, em Inglaterra; Art Nouveau, em França; Secession, na Áustria; Jugendstile, na Alemanha, Modernismo, em Espanha…), a Arte Nova define-se pela preocupação decorativista, pelo predomínio da linha ondulada e pelo recurso aos motivos florais e femininos. 

CONCEITOS: MÓDULO 6:UNIDADE 4: PORTUGAL- UMA SOCIEDADE CAPITALISTA DEPENDENTE


UNIDADE 4: PORTUGAL- UMA SOCIEDADE CAPITALISTA DEPENDENTE
REGENERAÇÃO:- Período da vida política portuguesa que decorreu entre 1851 e 1910. Quando se iniciou, teve como objetivo o estabelecimento da concórdia social e política, bem como o desenvolvimento económico do país.

CONCEITOS: MÓDULO 6:UNIDADE 3: EVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA- NACIONALISMO E IMPERIALISMO


UNIDADE 3: EVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA- NACIONALISMO E IMPERIALISMO
DEMOLIBERALISMO:- Sistema político em vigência no mundo ocidental, desde as últimas décadas do século XIX. Baseia-se na extensão da cidadania a camadas cada vez mais amplas da população, através da instituição do sufrágio universal
SUFRÁGIO UNIVERSAL:- Direito de todos os cidadãos, sem distinção de sexo, raça, fortuna ou instrução, votarem em eleições para a escolha dos representantes políticos.
NACIONALISMO:-Sentimento de pertença de um povo a uma comunidade dotada de uma raça, língua, religião, tradições culturais e passado histórico comum. Identificado com o patriotismo, o nacionalismo tanto justifica o direito dos povos à autogovernação como pode fundamentar uma política belicista de conquistas territoriais.
IMPERIALISMO:- Domínio que um Estado exerce sobre outros países, a título militar, político, económico e cultural.
COLONIALISMO:- Domínio exercido sobre territórios não independentes (as colónias). É a forma de imperialismo mais completa, já que associa todas as suas facetas.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

CONCEITOS: MÓDULO 6:UNIDADE 2: A SOCIEDADE INDUSTRIAL E URBANA


UNIDADE 2: A SOCIEDADE INDUSTRIAL E URBANA
EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA:- Aceleração do crescimento da população mundial que, no século XIX, duplicou os seus efetivos. O fenómeno, particularmente forte na Europa, foi possibilitado pela descida drástica e irreversível da mortalidade; pela antecipação da idade do casamento; pela elevação da esperança de vida. Quanto à natalidade, manteve-se alta até cerca de 1870, altura em que se inicia o seu, também irreversível, declínio.
SOCIEDADE DE CLASSES:- Tipo de sociedade que se generaliza no mundo ocidental desde o século XIX. Caracteriza-se a unidade do corpo social, na medida em que os indivíduos, nascidos livres e iguais em direitos, dispõem do mesmo estatuto jurídico. A diversidade social baseia-se, essencialmente, no estatuto económico, gerador de diferentes classes sociais.
CONSCIÊNCIA DE CLASSE:- Perceção explícita de pertença a uma classe social específica, por parte de indivíduos ou grupos. Implica a solidariedade para com os elementos da mesma classe e o distanciamento relativamente às outras classes sociais. A consciência de classe pode assumir uma expressão política, na medida em que força o Estado a atuar de acordo com os seus interesses.
PROFISSÕES LIBERAIS:- Profissões exercidas por conta própria, cujos membros dependem de uma Ordem, isto é, de um organismo profissional que lhes impõe regras. Exemplo: médicos, advogados, engenheiros, contabilistas, farmacêuticos.
PROLETARIADO:- Segundo a terminologia marxista, significa a classe operária que, sem meios de produção (a não ser os seus filhos, a sua prole), vende a sua força de trabalho (manual) em troca de um salário.
O termo proletário remonta à Roma antiga, abrangendo os cidadãos de inferior categoria, isentos de impostos, cuja única função social era a de gerar filhos.
MOVIMENTO OPERÁRIO:- Conjunto de ações levadas a cabo pelos trabalhadores assalariados, para a concretização das suas reivindicações. Na óptica marxista, é a expressão da luta de classes.
A implantação do capitalismo industrial fez crescer a massa de assalariados e subir de tom os seus protestos, que caminharam para as formas crescentes de organização.
Associações de socorros mútuos, cooperativas, sindicatos, greves, manifestações, eis como se traduziu o movimento operário, empenhado não só na melhoria das condições económicas e sociais (aumento de salários, diminuição do horário de trabalho, assistência na doença, velhice, desemprego), mas também na obtenção de direitos políticos.
SOCIALISMO:- Teoria, doutrina ou prática social que defende a supressão das diferenças entre as classes sociais, mediante a apropriação pública dos meios de produção e a sua distribuição mais equitativa.
As teorias socialistas remontam à Antiguidade e encontraram eco no Renascimento, em T. More e Campanella. No século XIX, o socialismo ressurgiu quando vários pensadores denunciaram as deficiências do capitalismo, criticaram as injustiças sociais e apresentaram soluções de alternativa.
MARXISMO:- Termo derivado do nome do filósofo, historiador e economista alemão Karl Marx, que se aplica à doutrina filosófica, política, económica e social por ele elaborada juntamente com Friedrich Engels.
A persepectiva marxista concebe a História como uma sucessão de modos de produção (esclavagismo, feudalismo, capitalismo), sucessão essa devida à luta de classes.
A Luta de Classes entre proletários e burgueses conduziria à destruição do capitalismo, à implantação da ditadura do proletariado e, finalmente à construção do comunismo- a verdadeira sociedade socialista, sem classes e sem Estado.
INTERNACIONAL OPERÁRIA:- Organização onde estão representados associações de trabalhadores de vários países, tendo em vista a coordenação das suas atividades. 

CONCEITOS: MÓDULO 6:UNIDADE 1: AS TRANSFORMAÇÕES ECONÓMICAS NA EUROPA E NO MUNDO



UNIDADE 1: AS TRANSFORMAÇÕES ECONÓMICAS NA EUROPA E NO MUNDO
PROGRESSOS CUMULATIVOS:- Série crescente de progressos que resultam da estreita ligação entre a ciência e a técnica. O termo cumulativos assume o duplo significado de interação entre a investigação científica e a criação técnica e de sobreposição desses mesmos progressos, na medida em que os novos avanços têm por base os anteriores.
CAPITALISMO INDUSTRIAL:-Tipo de capitalismo que se desenvolveu na segunda metade do século XIX e que se caracteriza por um investimento maciço na indústria.
O capitalismo industrial assenta numa clara divisão entre os detentores do capital (edifícios, fábricas, maquinaria, matéria-prima, etc.) e o trabalho, representado pela mão-de-obra assalariada.
ESTANDARDIZAÇÃO:- Uniformização dos artigos produzidos através do fabrico em série, que possibilita a produção em massa. Por sua vez, o trabalho necessário à produção é dividido numa série de tarefas também estandardizadas.
LIVRE-CAMBISMO:- Sistema que liberaliza as trocas internacionais. No sistema livre-cambista, o Estado deve abster-se de interferir nas correntes de comércio, pelo que os direitos alfandegários, a fixação de contingentes (de importações ou exportações) e as proibições de entrada ou saída devem ser abolidas ou, pelo menos, reduzirem-se ao mínimo.
A Grã-Bretanha foi, no século XIX, o porta-estandarte do livre-cambismo, tendo os seus economistas defendido que o livre-cambismo permite uma utilização ótima dos recursos e uma especialização ideal dos diferentes países na atividade que lhes é mais favorável.
CRISE CÍCLICA:-Estado periódico de agudo mal-estar e de mau funcionamento da economia.
Enquanto nas economias pré-industriais as crises eram, sobretudo, de penúria e da escassez, nas economias industriais as crises são provocadas por fenómenos de superprodução. As crises do capitalismo caracterizam-se pela rápida descida descida dos preços, da produção e dos rendimentos. Ocasionam numerosas falências, a subida do desemprego e a queda das cotações bolsistas.
Em termos precisos, o momento da crise é aquele em que se regista a inversão da tendência de alta para a tendência depressionária.

domingo, 22 de julho de 2012

CONCEITOS: MÓDULO 5:UNIDADE 5: O LEGADO DO LIBERALISMO NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX


UNIDADE 5: O LEGADO DO LIBERALISMO NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX
LIBERALISMO ECONÓMICO:- Doutrina económica, baseada no individualismo, na liberdade absoluta de cada membro da sociedade e na ideia da ordem natural, segundo a qual a iniciativa privada deve atuar livremente para que os desejos e os interesses de todos sejam satisfeitos da melhor maneira possível.
Consequentemente, o liberalismo é contra qualquer intervenção do Estado em matéria económica; não lhe reconhece outra atribuição que não seja garantir a liberdade total da iniciativa privada no que se refere à produção e à comercialização de bens.
ROMANTISMO:- Movimento cultural do século XIX que exalta o instinto e privilegia as emoções contra a razão, rejeitando a harmonia do “bom gosto” codificada pelo racionalismo neoclássico.
Para além de um movimento cultural, com manifestações na literatura, na pintura e na música, o Romantismo foi um estado de espírito que fez bandeira da liberdade e do individualismo, pelo que se converteu na ideologia dos revolucionários liberais. O romantismo surgiu, no final do século XVIII, na Alemanha (Kleist, Schiller, Beethoven Goethe), a partir do movimento Sturm und Drang (Tempestade e Paixão).
Desenvolveu-se, depois, na Inglaterra (Keats, Shelley, Byron, Walter Scott) e, por volta de 1830, atingiu um ponto alto em França com Victor Hugo.

CONCEITOS: MÓDULO 5: UNIDADE 4: A IMPLANTAÇÃO DO LIBERALISMO EM PORTUGAL


UNIDADE 4: A IMPLANTAÇÃO DO LIBERALISMO EM PORTUGAL
VINTISMO:- Tendência do liberalismo português, instituído na sequência da Revolução de 1820 e consagrada na Constituição de 1822. Caracteriza-se pelo radicalismo das suas posições, ao instituir o dogma da soberania popular, ao limitar as prerrogativas reais e ao não reconhecer qualquer situação de privilégio à nobreza e ao clero.
CARTA CONSTITUCIONAL:- Documento regulador da vida política de um Estado, que estabelece os direitos, as liberdades e garantias dos cidadãos e define a relação que os poderes do Estado mantém entre si. A Carta Constitucional é da iniciativa dos governantes, que a outorgam à Nação.
CARTISMO:- Projeto político do liberalismo moderado defensor da legalidade da Carta Constitucional, outorgada por D. Pedro IV em 1826.
Ao contrário do projeto radical vintista, valorizava a autoridade régia e reconhecia alguns privilégios à nobreza e ao clero.
Os períodos de vigência do cartismo decorreram de 1826 a 1828, de 1834 a 1836 e de 1842 a 1851.
SETEMBRISMO:-Fação radical do liberalismo português, defensora de princípios do vintismo, como a soberania nacional ser a fonte de toda a autoridade. Opositor da Carta Constitucional, o setembrismo vigorou de 1836 a 1842.
CABRALISMO:- Período de vigência do liberalismo português (1842-1846 e 1849-1851) que se identifica com a governação de Costa Cabral. Caracterizado por um exercício autoritário do poder, repôs a Carta Constitucional, fomentou as obras públicas e reformou o aparelho administrativo e fiscal.

CONCEITOS: MÓDULO 5: UNIDADE 2: A REVOLUÇÃO FRANCESA – PARADIGMA DAS REVOLUÇÕES LIBERAIS E BURGUESAS.

UNIDADE 2: A REVOLUÇÃO FRANCESA – PARADIGMA DAS REVOLUÇÕES LIBERAIS E BURGUESAS.
MONARQUIA CONSTITUCIONAL:- Regime político cujo representante máximo do poder executivo é um rei, que tem a sua autoridade regulamentada e limitada por uma Constituição.
SOBERANIA NACIONAL:-Principio decorrente da Filosofia das Luzes, segundo o qual a fonte do poder político reside na Nação. Esta poderá exercê-lo de forma direta ou por delegação nos governantes (elegendo-os, por exemplo), considerados seus representantes.
SUFRÁGIO CENSITÁRIO:- Modalidade de voto restrito em que este só pode ser exercido pelos cidadãos que pagam ao estado uma determinada quantia em dinheiro relativa a contribuições diretas (impostos)- o chamado censo.
SISTEMAS REPRESENTATIVOS:- Processos em que a tomada das decisões políticas cabe a um corpo especializado de cidadãos ( os políticos ), mandatados pela Nação, por exemplo, através de eleições.
ESTADO LAICO:- Estado que se assume não confessional, libertando-se da influência religiosa. Retira à Igreja todo e qualquer poder sobre o ensino, a assistência e a legislação civil. Em casos extremos, o laicismo do Estado conduz ao anticlericalismo e ao ateísmo.

CONCEITOS: MÓDULO 5:UNIDADE 1: A REVOLUÇÃO AMERICANA- UMA REVOLUÇÃO FUNDADORA


UNIDADE 1: A REVOLUÇÃO AMERICANA- UMA REVOLUÇÃO FUNDADORA
REVOLUÇÕES LIBERAIS:- Movimentos de contestação ao Antigo Regime que se espalharam pela Europa e as Américas, entre as últimas décadas do século XVIII e o século XIX. Partindo de insurreições armadas e prolongando-se em reformas institucionais, tornaram possíveis:
-a eliminação do absolutismo e da sociedade de ordens;
-a consagração dos direitos naturais do Homem, da soberania popular e da divisão de poderes;
-a instauração da livre iniciativa em matéria económica;
-a libertação de nações do jugo colonial e estrangeiro.
ÉPOCA CONTEMPORÂNEA:- Período cronológico da História da Humanidade, no mundo ocidental, que decorre de finais do século XVIII aos nossos dias. Tem nas suas origens as Revoluções Liberais (a periodização tradicional inicia esta época em 1789, com a eclosão da Revolução Francesa) e a Revolução Industrial, que fizeram triunfar o liberalismo, o capitalismo industrial e a sociedade de classes.
CONSTITUIÇÃO:- Diploma elaborado pelos deputados da Nação que define as regras da vida política:
-estabelecendo os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos;
-consagrando a soberania nacional;
-determinando a forma de governo e de distribuição dos poderes.
A Constituição é a lei máxima do Estado. A sua instituição deve-se ao liberalismo que, desse modo, legitimava o poder político, pondo cobro à prepotência e arbitrariedade do absolutismo.

sábado, 21 de julho de 2012

MÓDULO 4:UNIDADE 4: CONSTRUÇÃO DA MODERNIDADE EUROPEIA

CONTEXTUALIZAÇÃO
No século XVII e XVIII, rasgam-se novos horizontes ao pensamento europeu. A ciência envereda decididamente pelo experimentalismo, destruindo crenças antigas sobre a Natureza e o Homem.
O entusiasmo gerado pelas novas descobertas contrasta com o temor de muitos que, vendo desabar o seu sólido mundo de certezas, procuram, em vão, travar os avanços do conhecimento.
Um olhar crítico, despido de preconceitos, estende-se também aos regimes políticos, às estruturas sociais, à própria religião.  Acreditando nas potencialidades quase ilimitadas da Razão humana, fazendo dela o seu guia e a sua Luz, os pensadores do século XVIII – que a história conhece como iluministas – questionam a Velha Ordem, apontando-lhe as fraquezas e as injustiças.
Admitindo que todos os homens nascem livres e iguais, os filósofos iluministas destroem os fundamentos do Antigo Regime: a origem divina do poder; a rígida hierarquização social, a uniformização religiosa. Erguem, em contrapartida, as ideias do “contrato social”, do valor do indivíduo, da liberdade de crença e pensamento. Em suma, constrói-se o conjunto de valores que guiará a Europa em direção à modernidade.
Este fervilhar de ideias novas toca também Portugal. Assumindo um absolutismo que pretende iluminado pela clarividência da Razão, D. José I delega em Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, toda a autoridade necessária à modernização do país.
Pela mão do Marquês reformam-se instituições do Estado, submetem-se os privilegiados, modifica-se profundamente o ensino. Ergue-se, também, dos escombros do Terramoto, a Lisboa pombalina, jóia urbanística do iluminismo europeu.

MÓDULO 4:UNIDADE 3: TRIUNFO DOS ESTADOS E DINÂMICAS ECONÓMICAS NOS SÉCULOS XVII E XVIII

CONTEXTUALIZAÇÃO
No século XVII a afirmação da grandeza do Estado e do poder real tornou mais evidente a recessão económica que se abateu sobre a Europa. Procurando ultrapassá-la, elaborou-se a primeira teoria económica consistente, que ficou conhecida como mercantilismo.
Partindo do principio que a riqueza de uma nação se media pela quantidade de metal precioso arrecadado nos seus cofres, os mercantilistas procuram  obtê-lo através de um saldo positivo da balança comercial, fomentando as exportações e reduzindo as importações.
Esta política económica, altamente protecionista e competitiva, contribuiu para agudizar as tensões entre os estados europeus, que se envolveram numa negra série de conflitos pelo domínio das áreas coloniais e das carreiras marítimas.
Destes conflitos sai vitoriosa a Inglaterra que, em meados do século XVIII, se impõe como potência hegemónica. Senhora de um grande império, plena de vigor económico e de espírito inovador, será ela a inaugurar a era industrial, consolidando assim, por muito tempo, a sua superioridade económica.
Integrado nesta Europa turbulenta, Portugal continua a ter no comércio o seu principal sustento. Porém, também no nosso país se tomam medidas concertadas de fomento industrial: primeiro, sob a orientação do conde Ericeira, como forma de debelar a grave crise do final do século XVII; depois, sob a mão forte do marquês de Pombal, empenhado em eliminar o enorme défice da nossa balança comercial que, durante meio século, canalizou para a Inglaterra o ouro que nos chegava do Brasil.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

MÓDULO 4: UNIDADE 2: A EUROPA DOS ESTADOS ABSOLUTOS E A EUROPA DOS PARLAMENTOS

CONTEXTUALIZAÇÃO
No Antigo Regime, a sociedade encontra-se ainda fortemente hierarquizada em ordens ou estados. O poder, a ocupação, a consideração social de cada indivíduo são definidos pelo nascimento e reforçados por um estatuto jurídico diferenciado.
No topo da hierarquia social, o rei afirma-se como poder único, absoluto e sacralizado. A sua autoridade reforça-se, quer pela pena de teóricos como Bossuet, quer pela determinação e arrojo político de alguns monarcas, como Luís XIV, paradigma dos reis absolutos.
Em Portugal, o absolutismo encontra a sua  expressão máxima e significativa na pessoa de D. João V. O ouro, que, às toneladas, lhe chega do Brasil, permite ao rei rodear-se de uma opulência pouco usual no nosso país. Mafra tornou-se o seu símbolo.
Exceções a esta Europa absolutista e nobiliárquica, a Holanda e a Inglaterra procuram outras formas de governo e outro equilíbrio social.
Nas Províncias Unidas, os supremos interesses do Estado fundem-se, muitas vezes, com os supremos interesses do comércio. A burguesia impõe-se a uma nobreza restrita que, em vão, tenta controlar o poder.
A pouca distância, a Inglaterra luta tenazmente contra as ambições absolutistas dos seus monarcas. Depois de um período sangrento de ódios e guerra civil, depois de uma breve e amarga experiência republicana, as ideias de soberania popular acabaram por se impor numa “revolução gloriosa”. Gloriosa porque, sem sangue, se consolidaram os fundamentos de um regime político original, respeitador do indivíduo e da alternância governativa baseada em eleições.

MÓDULO 4:UNIDADE 1- POPULAÇÃO DA EUROPA NOS SÉCULOS XVII e XVIII: CRISES E CRESCIMENTO

CONTEXTUALIZAÇÃO
Numa Europa essencialmente agrícola e tecnologicamente pouco avançada, o número de homens flutua, acompanhando os ciclos económicos: em épocas de prosperidade, a população cresce; diminui ou estagna nos períodos de recessão.
No século XVII, fizeram-se sentir os efeitos de uma crise económica acentuada, de uma grande turbulência política e de frequentes tumultos sociais. Foi um tempo marcado pela fome, pela doença e pela guerra. Esta “trilogia negra”, que regressou em força após o intervalo representado pelo século XVI, tornou a morte mais próxima e os nascimentos mais raros. Sucederam-se, intensas e frequentes, as crises demográficas da Europa pré-industrial.
Em meados do século XVIII, este ciclo negativo termina dando lugar a um período de crescimento populacional que não mais se inverterá. A Revolução Industrial aproxima-se, trazendo consigo um sistema económico e um modelo demográfico inteiramente novos.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

CONCEITOS: MÓDULO 4:UNIDADE 4: CONSTRUÇÃO DA MODERNIDADE EUROPEIA


UNIDADE 4: CONSTRUÇÃO DA MODERNIDADE EUROPEIA

ILUMINISMO:- Corrente filosófica que se desenvolveu na Europa do século XVIII e que caracterizou pela crítica à autoridade política e religiosa, pela afirmação da liberdade e pela confiança da Razão e no progresso da ciência, como meios de atingir a felicidade humana.
Originárias da Inglaterra (Enlightenment) e da Holanda, as “Luzes” fizeram da França o seu principal centro e, especialmente de Paris, irradiaram para a Europa e para o Mundo.
Na Alemanha, por exemplo, o movimento é conhecido pelo nome de Aufklarung (esclarecimento) e na Espanha por Ilustración (ilustração)

CONCEITOS: MÓDULO 4: UNIDADE 3: TRIUNFO DOS ESTADOS E DINÂMICAS ECONÓMICAS NOS SÉCULOS XVII E XVIII


UNIDADE 3: TRIUNFO DOS ESTADOS E DINÂMICAS ECONÓMICAS NOS SÉCULOS XVII E XVIII
MERCANTILISMO:-Teoria económica enunciada nos séculos XVI,XVII e XVIII, que defende uma forte intervenção do Estado na economia. O objetivo dessa intervenção era o aumento da riqueza nacional, identificada com a quantidade de metais preciosos acumulados pelo país. São características do mercantilismo as medidas de tipo protecionista e monopolista. O termo mercantilismo designa, igualmente, as políticas económicas que, de acordo com esta teoria, foram implementadas em grande parte dos países europeus no século XVII e na primeira metade do século XVIII.
BALANÇA COMERCIAL:- Termo que designa a relação entre o montante das importações e das exportações. Caso o volume das exportações ultrapasse o das importações, a balança comercial é positiva, o que se identifica com a prosperidade do país.
PROTECCIONISMO:-Política económica que impede a livre circulação de mercadorias. O protecionismo traduz-se, geralmente, por um aumento dos direitos alfandegários sobre as importações. O objetivo desta medida é permitir o desenvolvimento das produções internas que, desta forma, se tornam mais competitivas.
MANUFACTURA:-Num sentido lato, o termo designa as diferentes atividades industriais que não empregam maquinaria e que, por isso, são características das épocas pré-industriais. Em sentido restrito, aplica-se às grandes unidades transformadoras típicas dos séculos XVII e XVIII que, para além da concentração de trabalhadores, recorriam já à divisão do trabalho e ao uso de tecnologia própria (mas não de maquinaria).
COMPANHIA MONOPOLISTA:-Associação económica geralmente de cariz comercial, à qual o Estado conferia direitos exclusivos sobre determinado produto ou área de comércio. No século XVII organizaram-se numerosas companhias monopolistas, na sua maior parte destinadas ao comércio colonial. As mais poderosas foram as Companhias das Índias Orientais, as quais os estados (Holanda, Inglaterra, França) conferiam poderes de justiça, administração e defesa no Oriente. Estas companhias representavam os respectivos países, negociando tratados e conquistando territórios, pelo que, para além dos direitos de comércio, detinham um grande poderio territorial e militar.
CAPITALISMO COMERCIAL:-Sistema económico caracterizado pela procura do maior lucro, pelo espírito de concorrência e pelo papel determinante do capital como motor do desenvolvimento económico. Característico da Idade Moderna (séculos XV a XVIII), o capitalismo comercial tem no grande comércio (e não na indústria) o seu setor mais lucrativo. Os capitais aí acumulados fizeram desenvolver as primeiras formas de capitalismo financeiro, materializado nas atividades bancário e bolsista.
EXCLUSIVO COMERCIAL:- Forma de exploração económica que reserva para a metrópole os recursos e o mercado das colónias. Trata-se de uma medida protecionista cujo objetivo é garantir a obtenção de matérias-primas e produtos exóticos a baixos preços, bem como escoar as produções manufacturadas do país dominador.
MERCADO NACIONAL:-Diz-se da capacidade aquisitiva da procura interna que, no caso da Inglaterra, no século XVIII, foi favorecida por:-revolução demográfica;- abolição dos entraves à circulação de produtos;- incrementos dos transportes;- crescimento urbano.
COMÉRCIO TRIANGULAR:- Circuito de comércio atlântico que ligava os continentes europeu, africano e americano. Este comércio, que prosperou sobretudo nos séculos XVII e XVIII, era suportado pelas necessidades de mão-de-obra das colónias americanas que dependiam dos contingentes negros para as suas plantações e explorações mineiras.
TRÁFICO NEGREIRO:- Intenso comércio de escravos negros que canalizou para a América grande número de africanos, na sua maioria comprados ou aprisionados nas costas da Guiné, de Angola e de Moçambique. Os escravos eram transportados em grandes navios negreiros, nas mais desumanas condições, pelo que uma parte significativa sucumbia durante a viagem.
BOLSA DE VALORES:- Instituição financeira em que se transacionam bens mobiliários, como fundos do Estado, ações e obrigações.
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL:- Em sentido estrito, é um conjunto de transformações técnicas e económicas que se iniciaram na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e se alargaram a quase todos os países da Europa e da América do Norte no decorrer do século XIX.
Considera-se, geralmente, que foi a invenção da máquina a vapor e sua subsequente aplicação aos transportes e à indústria que provocaram a rápida mudança nos modos de produção (da manufactura passou-se à maquinofactura).
Em sentido lato, a revolução industrial significa o conjunto de modificações estruturais profundas que se estabeleceram na economia, na sociedade e na mentalidade do mundo ocidental, no período atrás referido.
BANDEIRANTE:- Indivíduo participante numa bandeira, termo pelo qual, a partir do século XVIII, ficaram conhecidas as expedições armadas que percorriam o interior do Brasil em busca de ouro ev escravos. As bandeiras prolongaram-se do século XVI ao século XVIII., tendo como centro São Paulo, pelo que os bandeirantes são também conhecidos como “paulistas “ ou “gentes de São Paulo”.
A ação dos bandeirantes foi também da maior importância para o conhecimento do território e para a fixação das fronteiras do Brasil.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

INTERPRETAR DOCUMENTOS ESCRITOS


Interpretação de documentos escritos

            Informação
            Os documentos escritos que vais encontrar nos teus manuais podem ser da própria época que se está a estudar [documentos históricos] ou de uma época posterior àquela, mas que a ela se refere (documento historiográfico). É através dos documentos históricos que se reconstrói o passado. Os documentos escritos incluídos nos teus manuais ajudam-te a construir os conhecimentos. É necessário, portanto, saberes interpretá-los, ou seja, extrair deles toda a informação possível. Sugerimos, então, as seguintes etapas de: exploração e a procura dos seguintes elementos:
            a) Título
            Aparece, regra geral, ao cimo do texto, é atribuído normalmente pelos autores do manual e transmite-nos o assunto ou a ideia geral do documento.
            b) Fonte
            Surge ao fundo do texto e indica, por norma, o autor, o título da obra de onde foi reti­rada e a data.
                c) Localização
            A localização diz respeito ao tempo (data) e ao espaço (localidade). A data pode ser indicada através do milénio, século ou ano em que o documento foi escrito. Por vezes a localização só aparece, de forma indirecta, no conteúdo do texto, sendo necessário, portanto, fazer a sua leitura para a descobrirmos.
            d) Leitura do texto
Durante a leitura, podes sublinhar, a lápis, as palavras ou expressões que não com­preendes, a fim de procurares o seu significado num dicionário ou perguntares ao teu professor. Os parêntesis – (…) - significam que o texto original foi aí cortado para melhor se adaptar à sua função didáctica. Quando os documentos se apresentaram de difícil compreensão, optou-se por uma versão adaptada. Nesse caso aparece, a seguir à fonte, a palavra adaptado.
            e) Registo
            Registo dos nomes, datas, localidades e conceitos que sobressaem no texto. Verifica quais desses registos já te são familiares e quais os que são novos para ti.
            f) Resumo
            Resumo das principais ideias do texto.
            Podes destacar a ideia geral do texto e, depois, subdividi-la nas principais ideias.
            g) Contributo
            Do texto para o alargamento dos teus conhecimentos.

ANÁLISE DE DOCUMENTOS ESCRITOS
1. Vantagens da utilização do documento escrito na aula de História ajuda o aluno a desenvolver o espírito de observação, estimula a pesquisa, desperta a curiosidade, fomenta a criatividade e fortalece o sentido crítico; contribui para ultrapassar a tendência verbalista e predominantemente informativa do ensino; ajuda o aluno a organizar-se.
2. Critérios para a escolha de documentos escritos: de acordo com os objectivos de aprendizagem definidos; tem de estar ligado aos conteúdos a estudar; em função do nível etário dos alunos; não ser muito longo, nem muito complexo; deve ser um documento rico em informação. O documento deve ser sempre fornecido ao aluno, ou através do seu manual, ou fotocopiado, ou ainda projectado.
3. Classificação dos documentos escritos didácticos documento histórico - que pertence à própria época que se está a estudar. documento historiográfico - que é de uma época posterior àquela que se está a estudar, mas que a ela se refere. Por vezes, os documentos apresentam-se de difícil compreensão e quando assim acontece, muitas vezes, estes aparecem em versão adaptada. O documento escrito didáctico pode então ser uma reprodução do original ou ser sujeito a adaptações para se tornar mais acessível aos alunos. Os documentos escritos históricos subdividem-se nos seguintes tipos:
-documentos pontuais:
objectivos :- fontes jurídicas e administrativas
subjectivos :- fontes literárias e historiográficas
- documentos seriais:
- objectivos - registos paroquiais, inquisições gerais, listas nominais, fontes fiscais.
-subjectivos - testamentos, imprensa, róis de confessados, cadernos de "agravos".
4. Etapas de análise dos documentos escritos A metodologia do tratamento de um documento histórico ou historiográfico difere da utilizada na literatura.
1.ª etapa - Título - transmite-nos a ideia geral do documento e é normalmente atribuído pelos autores do manual.
2.ª etapa - Fonte - geralmente, indica o autor, título da obra de onde foi retirado e a data.
3.ª etapa - Classificação do documento - a natureza do documento se é histórico ou documento historiográfico.
4.ª etapa - Localização espacio-temporal - data em que o documento foi escrito e a sua localidade, normalmente, só aparece no conteúdo do texto, de forma indirecta.
5.ª etapa - Leitura do documento - durante a leitura do documento, o aluno deve sublinhar as palavras que não compreende e registar conceitos, nomes, datas e localidades que sobressaem do documento. De seguida, o professor deve esclarecer o significado das palavras ou expressões que o aluno desconhece.
6.ª etapa - Resumo do documento - levar os alunos a captar as ideias dominantes do texto; compreender a estrutura do texto e delimitar as suas partes.
7.ª etapa - Comentário - relacionar o texto com o conhecimento da época, dentro dos limites temáticos e cronológicos. Deverá ser claro e ordenado. Alude-se, ainda, ao interesse e valor do documento. O professor deve ensinar o aluno a estar atento para procurar distinguir os factos ou acontecimentos referidos, das opiniões ou interpretações feitas pela pessoa que escreveu a informação, pois sobre o mesmo assunto ou acontecimento da mesma época podemos ter visões diferentes. As circunstâncias em que o documento foi escrito e as opiniões dos seus autores, podem influenciar a nossa interpretação da informação. Desta forma, documento contribui para o alargamento dos conhecimentos históricos do aluno.
8.ª etapa - Crítica - questionar autenticidade e objectividade do documento, se possível, comparando com documentos análogos. O professor deve levar o aluno a ter uma atitude crítica perante aquilo que lê - verificar qual a origem da informação, pensar noutras possíveis opiniões, etc.

CONCEITOS: MÓDULO 4:UNIDADE 2: A EUROPA DOS ESTADOS ABSOLUTOS E A EUROPA DOS PARLAMENTOS


UNIDADE 2: A EUROPA DOS ESTADOS ABSOLUTOS E A EUROPA DOS PARLAMENTOS

ANTIGO REGIME:-Época da História europeia compreendida entre o Renascimento e as grandes revoluções liberais que corresponde, grosso modo, à Idade Moderna. Socialmente, o Antigo Regime caracteriza-se por uma estrutura fortemente hierarquizada (em ordens), politicamente, corresponde ás monarquias absolutas e, economicamente, (mercantilismo) ao desenvolvimento do capitalismo comercial.
ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL:- Divisão da sociedade em grupos hierarquicamente organizados, consoante o seu prestígio, poder ou riqueza.
ORDEM/ESTADO:- Categoria social que goza de um grau determinado de dignidade e prestígio, correspondente à importância da função social que desempenha. A ordem (ao contrário da classe social) assenta mais no nascimento que na riqueza, perpetuando-se por via hereditária e admitindo uma mobilidade social reduzida. Uma das ordens do Antigo Regime, o clero, foge, pelo celibato imposto aos seus membros, à transmissão hereditária, mas reflete, na sua hierarquia interna, a diversidade social das duas outras ordens. MOBILIDADE SOCIAL:- Transição dos indivíduos de um para outro estrato social, quer em sentido ascendente, quer em sentido descendente. Numa sociedade de ordens esta mobilidade é sempre reduzida, uma vez que o critério de diferenciação social assenta no nascimento. Porém, no Antigo Regime, o desenvolvimento do capitalismo comercial conduziu à ascensão da burguesia, que viu reforçadas tanto a sua valia económica como a sua dignidade social. Este processo culminará com o embate das revoluções liberais que destruirão a sociedade de ordens, instaurando o atual modelo de organização social em classes. MONARQUIA ABSOLUTA:- Sistema de governo que se afirmou na Europa, no decurso do Antigo Regime. Concentra no soberano, que se considera mandatado por Deus, a totalidade dos poderes do Estado.
SOCIEDADE DE CORTE:- Grupo de pessoas que rodeia o rei e participa na vida da corte. Trata-se de um conjunto razoavelmente vasto e organizado que partilha os mesmos valores e o mesmo padrão de vida. A sociedade de corte atingiu o seu período áureo nos séculos XVII e XVIII, assumindo então um lugar central no conjunto da sociedade.
PARLAMENTO:- Assembleia política à qual cabem, em regra, funções legislativas. Este tipo de órgão apresenta outras designações como, assembleia, cortes ou congresso. O atual Parlamento inglês é o parlamento mais antigo, tendo servido de modelo a muitos outros. As suas origens remontam à Magna Carta (1215), encontrando-se desde o tempo de Eduardo III (século XIV) dividido em duas câmaras, que evidenciam a distinção entre a nobreza e o povo: a Câmara dos Comuns que, nos séculos XVII e XVIII, era eleita por sufrágio censitário, e a Câmara dos Lordes, nomeada pelo rei.

domingo, 15 de julho de 2012

ROMANTISMO: PALÁCIO NACIONAL DA PENA-SINTRA


O Palácio Nacional da Pena, popularmente referido apenas por Palácio da Pena ou Castelo da Pena, localiza-se na vila de Sintra, freguesia de São Pedro de Penaferrim, concelho de Sintra, no distrito de Lisboa, em Portugal. Representa uma das melhores expressões do Romantismo arquitectónico do século XIX no mundo, constituindo-se no primeiro palácio nesse estilo na Europa, erguido cerca de 30 anos antes do carismático Castelo de Neuschwanstein, na Baviera

sábado, 14 de julho de 2012

FISIOCRATISMO

François de Quesnay
Tendo como pano de fundo o Iluminismo francês, o fisiocratismo é, antes de tudo, uma reação ao mercantilismo vigente, assumindo-se historicamente como a primeira teoria científica da economia. A sua escola, dita fisiocrata (physis, natureza, kratos, governo), nasce em França a partir da obra Tableau Économique de François de Quesnay, médico da corte ao serviço de Madame de Pompadour e mais tarde de Luís XV. Conhecedor da teoria da circulação do sangue de William Harvey (1616), Quesnay concebia a vida económica como um organismo, um circuito semelhante ao sanguíneo. Acreditava plenamente no poder criativo e curativo da natureza, cujas leis representavam a "ordem natural" da vida individual e coletiva, princípio básico do fisiocratismo e da constituição natural dos governos. Os seus seguidores, entre os quais Mirabeau, Malesherbes, Mercier de la Rivière e Turgot, intitulavam-se economistas, já que o termo fisiocracia apenas se usa a partir do século XIX, quando se publica uma coletânea de textos do seu fundador. O fisiocratismo, na sua conceção naturalista do mundo, defendia a aplicação de leis naturais de carácter universal para dirigir a atividade humana, particularmente as suas relações económicas e sociais. O governo deveria estar em perfeita consonância com a ordem natural, favorável à liberdade de circulação de pessoas, produtos e bens - laissez faire, laissez passer, le monde va de lui-même ("deixem fazer, deixem passar, o mundo vai por si mesmo") -, o que colide com o intervencionismo, protecionismo e regulação estatais da atividade económica e social próprios do mercantilismo. As riquezas deveriam circular livremente no organismo social como o sangue no corpo, de acordo com a lei natural, tendente à harmonia de relações em todos os níveis. Por outro lado, no sentido da liberdade de circulação atrás referida, o fisiocratismo preconizava, em oposição clara ao mercantilismo, a atribuição de grande importância à agricultura como atividade produtiva, capaz de criar o "produto líquido", inexistente no comércio ou indústria, "estéreis" segundo os fisiocratas, apenas capazes de transformar ou fazer circular as riquezas já existentes derivadas da sua única fonte possível, a natureza. Só a atividade agrícola, "coração da economia", e também a mineração, poderiam substanciar as suas potencialidades e dela retirar o produto líquido, motor do progresso autêntico. O produto líquido seria o excedente de produção em relação aos gastos e ao consumo, que circula na sociedade como o "sangue nas veias", investido depois na agricultura. A acumulação de metais preciosos, o comércio e a manufatura não se configuravam como fontes de riqueza, contrários que eram à ordem natural das coisas, criadores de injustiças sociais e de desacertos económicos. O fisiocratismo defendia, por outro lado, a livre iniciativa individual, a liberdade do trabalho e de circulação - em vez das regras ou restrições mercantilistas, que considerava "vexações arbitrárias da autoridade" -, propondo também o imposto único e direto, a incidir somente na propriedade (no produto líquido agrícola). A defesa de uma reforma fiscal no sentido de se estabelecer uma ordem social mais harmónica e igualitariamente benéfica é outra das bandeiras do fisiocratismo, exigência essa enquadrada na situação em que vivia a França antes da Revolução: basicamente rural, embora sem grande rentabilidade agrícola; supérflua e faustosa, na corte desregrada de Paris; com impostos pesados e injustos, dos quais estavam isentos os privilegiados, nobreza e clero.O fisiocratismo, apesar de certas contradições e utopias, está na origem da economia política de tipo liberal, antecipando mesmo a Revolução Francesa: defesa de uma sociedade mais dinâmica, interdependente e recíproca; urgência de revisão da fiscalidade vigente, para acabar com os privilégios; liberalismo económico, traduzível no laissez faire... favorável à livre iniciativa e à liberdade de circulação. No fundo, desenhava uma orientação oposta ao absolutismo e à sociedade de raiz ainda feudal. Turgot (1727-1781), um dos maiores seguidores de Quesnay e ministro das Finanças de Luís XVI, ainda pôs em prática algumas medidas fisiocráticas, esbarrando, todavia, com o poder das classes privilegiadas e a oposição da rainha Maria Antonieta, que o fez cair em desagrado do rei.A Portugal chegaram também os ventos do fisiocratismo, ainda que com pouca expressão em termos reais e demasiadamente mitigados pela realidade nacional. Os autores mais próximos daquela corrente de pensamento económico foram Rodrigues de Brito, Domingos Vandelli, para além do abade Correia da Serra. Foram mais veiculadores da teoria do que seus defensores, despertando o fisiocratismo no nosso país mais interesse do que propriamente influência, numa altura em que se advogava um maior incremento da produção agrícola em Portugal, face ao fracasso do mercantilismo vigente.